16.6.08

O dia claro

Me vergo de dor na carne que é rígida,
porque o desejo pulsa iminente
na minha pele, veias, ossos e espinha:
meu desejo não me deixa mais dormir.
Meu desejo delinqüente e imperdoável
de abrir os olhos e ver o dia.

É melhor permanecer no escuro -
me alertaram certa vez.
É melhor manter os olhos fechados,
bem cerrados,
e respirar sem nenhuma desfaçatez.
É melhor, é melhor...
É melhor permanecer inerte
nesse talvez inato
e cômodo comodismo sem razão:
entorpecido de costume.
(meu ilustre estrume)

É melhor assim. É melhor
do que perceber
os farfalhos que causa nos olhos
o dia claro;
a luz que ilumina e fere, quebra a rotina
e ameaça as retinas.

“- É melhor, minha filha.”

A afirmação continua a ressoar,
soar,
e a suar.

Mas transpiro só,
e de sobriedade.

2 comentários:

Edna Federico disse...

Eu prefiro enxergar, com claridade total, mesmo que fira meus olhos e meu coração.
Beijo

F. S. Júnior disse...

é melhor, porém, nem sempre possível... rs