19.3.07

Branca, bela, bela, branca, branca, bela, branca...


... folha de papel.


Somente aqueles que realmente escrevem e gostam do que fazem é que sabem o quão difícil é desnudar uma folha de papel em branco. É constrangedor admitir o medo que um escritor pode sentir ao ver aquelas folhas branquíssimas que breve terão em si registradas as palavras que dirão por si mesmas se a pessoa quem as escreveu vale a pena ou não, se é bom o bastante ou não.
E o medo de ser testado é constante. Aqueles que gostam de superação pessoal vêem o próprio texto ou xingando ou aplaudindo, dependendo da sagacidade do autor.

Mãos a obra e vamos ao texto!
Gramaticalmente correto; sujeito, verbos e objetos em conformidade. Minuciosamente em concordância. As palavras escritas de forma normativa. Tudo devidamente checado. Pronto. Limpo. Certo. Bravíssimo!

Talvez nem tão bravo assim.

Meus olhos não vibraram, meu peito não palpitou nem minhas mãos suaram enquanto o reli. Meu texto não tem nem a graça nem o ardor e calor que pede um digno romancista. Não entreteria nem uma bruaca velha e chata e alienada. Não fez ninguém sorrir nem procurar com mais anseio ao final. Meu texto me lembra os dias cinzentos e chuvosos em que não quis sair da cama. Meu texto é meu retrato de hoje: ele não deveria ter saído da cama.

- Lixo!

Um comentário:

alejandra. disse...

Acho que se eu ler um texto seu que contenha somento uma palavra "coco" eu ia gostar... haha como é que voce faz?
Eu tambem queria :(

:P