4.9.07

Loneliness

Estranho, mas às vezes tenho a sensação que chove somente sobre minha casa; e que aqui é mais frio que nas outras. Não se trata de metáfora alguma, mas somente de uma sensação.

Então toda noite quando chego da rua, adentro meu terreno: molho-me com o invisível e escuto o suposto barulho de uma chuva inaudível. Não é mera impressão. Não é inverídica coincidência com intuito poético: acontece. O sol aqui não penetra. O chão está sempre frio e as pedrinhas do quintal reforçam mais ainda essa sensação cinza e gelada. E a solidão fica batendo no portão desesperada para que eu a deixe entrar, como um cão negro à espera de uma brechinha na porta para adentrar o sossego dos meus pensamentos. Por muitas vezes na minha vida eu já vi esse cão sedento por mim, sedento por minha tranqüilidade. Às vezes, numa crise de pânico, corro com medo dele. Corro esbaforida, faço curvas, piruetas, mas ele, sempre mais esperto que eu, não me perde de vista. Outras vezes, eu chego a acreditar que consegui disfarçar e ele me esqueceu. Olho e não o vejo. Mas passado algum tempo, o vejo à espreita novamente. Quase como se dissesse com os olhos: “Acha mesmo que me esqueci de você?” – cão maldito! Esqueça-me. Vá embora. Vá atrás de outra pessoa. Vá se alimentar de sentimentos alheios, não dos meus.

Aí eu pego bom um livro, entorpeço-me nas belas linhas de maravilhosos autores que me distraem por todo o percurso casa-faculdade. E esqueço. Perco-me dentro de um novo mundo que não é meu. Nem sempre mundos bonitos, mas outros mundos. E só depois de um tempo acordo com os pés congelando por causa deste frio infindável. Permanente e eternamente infindável, se me permitem o pecado de um pleonasmo tão explícito.


3 comentários:

Adroaldo Bauer disse...

Se desabafo, não é ispensável.
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E percebo que esse cão
te morderá de paixão
posto que não ladra
e espreita apaixonado
desde fora de onde moras

Anônimo disse...

Essa é uma sensação que todos nós sentimos.Sinto que tem um cão sempre a me espreitar na esquina quando passo.
Não é só sua casa que parece ser fria esssa é uma sensação que também todos nós sentimos, sempre achamos que a nossa é assim até conhecer outro alguém que também sente a mesma coisa, aí vemos que não é como achavamos que fosse. Livros sempre trata de um assunto que parece não ser nosso, porém inconscientemente é mais que um problema nosso é a nossa vida estapada de forma que não à sentimos e não à percebemos.
Durmo de meia pra não congelar meus pés e durante a noite ou qualquer outro momento do dia não acordar e perder o rumo de meus pensamentos que são muitos rsrsrs.A título de curiosidade cientificamente foi comprovado que quem dorme de meias têm bons sonhos e vive mais devido a um tal de um hormônio que é produzido durane a noite rsrsrs
MILETRAS

Alejandra disse...

Quis muito comentar aqui.

Então pensei em dizer que você poderia vir aqui em casa... durante a manhã (e até cedo da tarde - se me permite a figura de linguagem da qual nao me recordo o nome... hehe) bate sol. É muito gostoso ficar deitada no chão, sentindo o sol na pele... como uma plantinha.

Pensei em dizer que te daria um abajur bem forte e quente... que te lembrasse ao sol. Eu até tinha um, mas a Shimi derrubou e é dificil encontrar a lâmpada nova =(

Pensei em dizer que quando eu tivesse dinheiro, faria a sua casa crescer até ficar acima dos prédios, então você teria toda a luz e sol que desejasse, assim como a vista e o sinal das antenas hehe.

E pensei até em dizer que eu poderia esquentar voce com um cobertor, ai mesmo, na sua casa =)

Mas o que eu vou dizer mesmo... é o que me veio agora na cabeça, meu último pensamento. Impossivel ser mais piegas, mas como foi até bonitinho... e como eu já escrevi todos os outros pensamentos que me vieram, nao há porque nao dizer este ultimo.
Quando voce estiver com esse frio ou esse sentimento vier te procurar, lembre-se que eu vou estar sempre aqui, pra te dar aquele abraço que a gente começou a se dar na quinta/sexta série... e pra trocar todas as palavras, deglutinar todos os nossos pensamentos :P

Linda!