1.8.07

Finally free

Que seriam dos poetas, pobres e miseráveis, se não fosse a tristeza - famosa melancolia?
Os dias sorridentes de sol inspirar-nos-iam? As nuvens macias e arianas no céu seriam suficientes para preencher o espaço entrelinha que o poeta tanto busca colorir?
Não.
O poeta não vive sem a dor. Pois é ela quem dá a graça de um sentimento suave e essencial para a completude de sua obra prima, a poesia.

E a minha dor só serve para isso.
Ela é essencial para as obras que as minhas mãos virão a escrever.
E eu só posso agradecer à pessoa que esta me deu: obrigada por me dar este presente que pensaste que seria mal-vindo!
Bem-vindo ele é. Esse mal-querido me trouxe no fundo uma enorme alegria.
E alívio.
Minha jornada segue só.
Minhas palavras não serão sugadas, mas somente apreciadas por aqueles que conveniente e infreqüentemente se aprazerem delas.

Não me suga, meu querido. Foi somente isto que você quis durante a tua passageira estadia. Mas aprende que o espírito de alguns foram feitos para viverem livres à mercê do vento, e os sentimentos e as palavras jamais me poderão ser enjauladas ou tiradas.
Aprende, meu querido. Aprende que a minha felicidade incondicional e distinta da presente e ocasional dor nunca me será tirada. Porque eu sou feita de algo que você nunca poderá entender ou alcançar. Eu sou feita de luz. Sou feita da matéria mais pura que existe. Minha existência é leve e despretensiosa. Não preciso buscar contigo a tua derrota.
Teu presente ingrato para mim é pura alegria.

Estou livre!

6 comentários:

Cristina Rodrigues disse...

ADOREI....

beijos...fique na paz dessa noite!!
cris!

Wanderson "Wans" disse...

Cris, realmente o que escreveu é verdade. Porém nunca se esqueça que a dor é realmente importante à medida que nos deixa mais fortes, que nos ensina a viver melhor.
Só assim ela tem sentido.
Quando a dor vier insuportável, leia este post novamente.
Força garota! Sempre.

Otávio B. disse...

A dor pode ir e pode voltar, mas como você disse, ela sempre será o motor do poeta, e, convenhamos, aqueles poeminhas de "rosas são vermelhas, violetas são azuis" são realmente podres...A dor, expressada, vale muito mais do que mil belezas, às vezes...Gostei do seu espaço...Quando visitar o meu, será muito bem vinda. Obrigado, vamos almoçar

♥ Aubrey Fabbro ♥ disse...

Primeiramente, adorei a repaginada.
Andy Warhol deu mais vida ao seu blog.

Como não sou poetisa, minha opinião é meio diferente. Eu acho melhor que o erro não aconteça para aprender, porque pode resultar em medidas amargas. Mas já que aconteceu, realmente há de se concordar que isso traz uma experiência para não se repetir.

É isso!

:P

*Lembra q eu disse admirar sua coragem? Pois é, hoje eu li uma matéria e uma frase definiu tudo o que eu quis dizer com isso.
“Coragem é a habilidade de mover-se para o futuro, sem olhar para trás: desapegar-se do passado.”

Bjao :*

Edna Federico disse...

Obrigada pela visita e pelo comentário.
Lindo texto!
Vou linkar você, ok?
Beijo

Fernanda Passos disse...

Nossa Gina....
Que cortante....que sutil....que certeira.
O poeta não vive sem a dor, ela é matéria - prima para sua obra.
Amei isso que disse.
E também concordo que essa melancolia não deve nos consumir.
A gente que escreve poesia às vezes fala de coisas que, não necessariamente, sente. Acontece muito isso comigo.
Amei esse texto.
Bjs.