3.5.07

O "fim" sob ótica analítica


Fim. Quase sempre imbuído de pieguices exacerbadas, pelo menos no meu caso. Fim é constituído de apenas três letras, quando deveria ter pelo menos umas nove, quer dizer, nove consoantes, fora as vogais. Agora, quem leu as primeiras duas ou três linhas deve ter chegado, pelo menos os rápidos de raciocínio, à seguinte pergunta: o que leva uma pessoa a fazer uma análise crítica, sociológica, e moral sobre o “fim”?

Neste parágrafo você deveria obter uma resposta clara e objetiva, seguindo a estrutura fundamental e lógica dos textos coesos. Mas infelizmente, sinto informar-lhe que não possuo tal resposta, pulando então para o parágrafo seguinte e continuando minha explanação, procurando dar algum sentido às linhas que se seguem.

Escrevo sobre o fim porque ele tem sido objeto perturbador de minha mente, (na verdade apenas neste minuto). O fim poderia representar um alívio, soando quase como uma onomatopéia de desopressão, mas não. O fim causa ânsia aos que o desejam. O fim causa desespero aos que não o desejam. Logo, o mesmo mais importuna do que apraz. Logo (novamente), o mesmo é imoral por causar danos à pessoa física de boa fé.

Fim de uma coisa: Triste e corriqueiro. As árvores se acabam, assim como animais, roupas, sapatos e barbies. Todas as coisas deveriam ser enterradas? O que enfiar embaixo da terra afinal significa em respeito à dignidade da coisa em si? A idéia de me jogarem num buraco com terra e minhocas em cima ou ser queimada sinceramente não me agrada. Aliás, depois do fim, não existe nada mesmo, então no que se embasa este pensamento? Mal percebo que me englobo na categoria “coisa”, devendo pular para um tópico mais específico.

Fim de uma pessoa: Realmente deprimente. O fim de uma pessoa não significa apenas sua morte física ou desaparecimento, mas sim e também seu fim obtido de vários outros infindáveis meios. Exemplo 1: Quando eu tinha onze anos e fui num passeio do colégio, um dos meus amigos desfilou por todo o passeio com o zíper aberto, deixando à mostra uma sunguinha ridícula, sob risos e gozações alheias até que percebesse o que estava ocorrendo. Aquele foi seu fim. E realmente foi, afinal crianças de onze anos são cruéis. Exemplo 2: Uma vez consumi um cachorro quente nas esquinas da Rua da Matriz, São João de Meriti. Aquele foi meu fim. Exemplo 3: Ter de escutar a Heloísa Helena falando, por três horas e meia consecutivas, para qualquer pessoa normal, seria o fim. Ou escutar um cd inteiro do Calypso, pois ambos (Heloísa Helena e Calypso) parecem estar no mesmo patamar.

O fim não é ilegal, mas deveria ser. Para ser legal deveria ser requerido com antecedência aos meios jurisdicionais alegando necessidade e vontade do mesmo. Não deveria haver, então, fim para os começos...


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Pensando bem, começos também não afligem?

Um comentário:

Alejandra disse...

hahah adorei
Fico até perdida de por onde começar comentando...
Entao, pensando bem, acho que nao vou comentar nada especifico e deixar só um pedaço de canção, que me veio á mente lá pelo meio do texto:
"O que passou, passou
Porque não era pra ficar
O que ficou, ficou
Porque aqui era o lugar
O que sobrou, sobrou
E ainda era mais do que eu esperava
E o que morreu, morreu
Porque é assim que sempre acaba"